Diário para terapia: o que anotar e levar para a sessão
Um diário entre as sessões ajuda a chegar com fatos e datas, em vez de tentar lembrar tudo na hora. O que anotar, como usar e o que não precisa mostrar.
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Quase todo mundo que faz terapia conhece a cena: a semana foi cheia, aconteceu uma coisa importante na terça, e na hora da sessão a cabeça fica em branco. Um diário entre as sessões resolve parte disso. Você chega com o que aconteceu, quando aconteceu e como foi, e não só com a lembrança do último dia.
Vale dizer logo: o diário não substitui a terapia e não faz o trabalho dela. Ele só ajuda a aproveitar melhor o tempo da sessão.
O que anotar entre as sessões
- Situações que mexeram com você, com data: o que aconteceu, onde, com quem.
- O que você pensou na hora, do jeito que veio, sem arrumar.
- O que sentiu, e com que força.
- O que fez depois: falou, calou, saiu, comeu, dormiu.
- Coisas que você quer perguntar ou retomar na próxima sessão.
Muitos terapeutas pedem registros parecidos com esse, cada um do seu jeito. Se o seu já pediu um formato, siga o dele. Se não, vale perguntar se ele acha útil e como prefere receber.
Escreva logo depois, não dias depois
O detalhe que importa some rápido. Uma frase anotada no mesmo dia vale mais que um parágrafo escrito no sábado tentando reconstruir a semana. Se escrever no meio do dia for difícil, falar ajuda: um áudio de um minuto no caminho de casa já guarda o essencial.
Anote também depois da sessão
O que ficou na cabeça na volta para casa costuma ser o que mais pesa. Uma frase que o terapeuta disse, uma coisa que você percebeu falando, algo que quer pensar durante a semana. Anotar isso evita que a sessão evapore até a próxima.
Você não precisa mostrar tudo
O diário é seu. Levar para a sessão não quer dizer ler em voz alta ou entregar o caderno. Pode ser só olhar antes de entrar e escolher dois ou três assuntos. E o que você escreveu e não quis contar continua seu do mesmo jeito.
Por isso também vale escrever num lugar onde só você lê: um caderno guardado, ou um app com senha e com as entradas mais sensíveis trancadas.
Quando o diário não é o lugar
Se o que aparece nas entradas envolve pensar em se ferir ou em não querer mais estar aqui, não espere a próxima sessão. Fale com seu terapeuta antes, ou com alguém de confiança. No Brasil, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188.