Como escolher um app de diário
Antes de escolher onde escrever a própria vida, valem quatro perguntas: quem pode ler, o que sai se você sair, funciona sem internet, e por quanto tempo vai existir.
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Um diário não é um app qualquer. É o único onde a pessoa escreve coisas que não contaria em nenhum outro lugar, com nome de gente, data e detalhe. Vale escolher com mais cuidado do que se escolhe um app de lista de compras.
Quem consegue ler o que você escreve
Pergunte especificamente: o texto passa por alguém da equipe, é usado para treinar algum modelo, é vendido para publicidade. Um app sem anúncio nenhum não tem o motivo mais comum para olhar o conteúdo de quem usa.
O que sai se você quiser sair
Um diário que só deixa exportar em um formato estranho, ou que demora dias e precisa de um pedido por e-mail, é um diário que te prende pelo trabalho, não pelo valor. O teste certo: dá para pegar tudo e apagar a conta agora, sem esperar resposta de ninguém?
Funciona sem internet
Um diário se escreve em qualquer lugar, no metrô, no avião, na fila. Um app que exige rede para simplesmente abrir a tela de escrever vai falhar bem na hora em que a vontade de escrever aparece.
Se ele ainda vai existir daqui a cinco anos
Diário se lê depois, às vezes muitos anos depois. Um serviço que pode fechar e levar o histórico junto é um risco diferente do de um app comum. Exportar sempre, com frequência, é o que torna esse risco irrelevante: o arquivo fica seu, independente do app continuar existindo ou não.
O que importa menos do que parece
Ícone bonito, tema escuro, quantidade de emoji: isso muda em uma atualização. O que não muda depois de escrito são as quatro perguntas de cima, e são elas que decidem se um diário dura anos ou se vira mais um app desinstalado em março.